Relacionando Weineck (1999) e Achour Jr. (1998), flexibilidade é a capacidade de um atleta de executar movimentos com grande amplitude em uma ou em várias articulações, sem causar lesões.

A flexibilidade é uma capacidade de grande importância para os atletas de wushu, pois seus movimentos exigem altos níveis de flexibilidade em suas execuções, cita Roig (1990?).

Segundo Weineck (1999), a flexibilidade pode ser classificada em:

a) Flexibilidade geral, é a flexibilidade em grande amplitude dos principais sistemas articulares (ombros, quadris e coluna vertebral). Este tipo de flexibilidade não tem parâmetro preciso, pois, depende do nível de desempenho do esportista, cita Weineck (1999).

b) Flexibilidade específica, está associada á determinadas articulações, cita Weineck (1999), ex: atletas de salto em altura devem ter boa flexibilidade na coluna vertebral.

c) Flexibilidade ativa, pode ser classificada como a maior amplitude atingida em uma articulação através da contração dos músculos agonistas, menciona Weineck (1999).

d) Flexibilidade passiva, é a maior amplitude de movimento conseguida em uma articulação com o auxílio de forças externas (parceiro ou aparelho), menciona Weineck (1999).

e) Flexibilidade estática, é a execução de um alongamento em um determinado músculo por um determinado período de tempo, cita Weineck. (1999).

              

Limites estruturais da flexibilidade

Segundo Foss e Keteyian (2000), os ossos, músculos, ligamentos, tendões e pele são estruturas que influenciam na flexibilidade, sendo que, os ligamentos e cartilagens geram a principal resistência à flexibilidade do movimento articular estando presentes em todas as articulações. As cápsulas articulares, os tecidos conjuntivos associados e os músculos são responsáveis pela maior parte da resistência à flexibilidade.

 

Fuso muscular

São receptores musculares localizados dentro do músculo e não só mantêm o tônus muscular como são responsáveis pela proteção do músculo de uma provável distensão, e por esse motivo, tem uma influência direta na capacidade do alongamento muscular, menciona Weineck (1999).

Quando ocorre uma distensão do músculo, a parte central do fuso também se distende, provocando a ativação do nervo sensorial (nervo anuloespiralado), que envia sinais ao sistema nervoso central, estes sinais irão ativar os neurônios motores alfa, que inervam as fibras musculares regulares contraindo o músculo. Este processo é denominado como reflexo de estiramento, cita Foss e Keteyian (2000).

Juntamente com o músculo, o fuso se encurta, interrompendo o fluxo de impulsos sensoriais relaxando o músculo, menciona Foss e Keteyian (2000).

 

Órgão tendinoso de Golgi

Órgãos tendinosos de Golgi são proprioceptores que estão encapsulados nas fibras tendinosas, sendo sensíveis ao estiramento. Os órgãos tendinosos de Golgi são menos sensíveis ao estiramento comparados aos fusos, para serem ativados é necessário um estiramento muito forte, sua principal forma de ativação é o estiramento exercido sobre os mesmos pela contração dos músculos onde os tendões estão localizados, menciona Foss e keteyian (2000). Quando ocorre o estiramento, uma informação sensorial é enviada ao sistema nervoso central, provocando um relaxamento do músculo contraído, ao contrário dos fusos, sua função é inibir os músculos onde estão localizados. Esta reação acaba sendo uma forma de proteção do músculo, pois quando ocorrem tentativas excessivas de elevar cargas extremas e que poderiam causar uma lesão na musculatura, os órgãos tendinosos de Golgi induzem o relaxamento do músculo, menciona Foss e Keteyian (2000).

 

Testes de flexibilidade

Antes de mencionarmos os testes de flexibilidade, iremos citar alguns problemas que poderão interferir nos resultados, segundo Weineck (1999) um teste de flexibilidade deve ser conduzido por um especialista.

A avaliação da flexibilidade está associada à capacidade de flexão de um atleta, sendo que, quanto mais flexível o atleta, mais positiva é a avaliação. Existem casos que atletas com problemas de ligamento mostram também um alto nível de flexibilidade, esta debilidade associada á uma ampla flexibilidade, deve servir como parâmetro e ao mesmo tempo, como crítica para a análise dos resultados, cita Weineck (1999).

Os testes de flexibilidade são extremamente necessários como método de controle da flexibilidade durante o treinamento, que devem ser aplicados regularmente. Os resultados dos testes de flexibilidade são dados em centímetros ou em graus entre os exercícios de controle. Deve-se incluir testes de flexibilidade geral e também a flexibilidade específica de acordo com a modalidade esportiva, menciona Weineck (1999).

Antes de abordarmos os testes de flexibilidade, devemos levar em consideração os problemas que possam ocorrer de acordo com o ponto de vista ortopédico. Os testes são de fácil aplicação, mas em muitas vezes avaliam vários grupos musculares simultaneamente, e com isto, a interpretação dos resultados executada por um leigo poderá ser incorreta, um exemplo disto é que muitos atletas apresentam encurtamento do flexor da pelve e dos joelhos, este diagnóstico deve ser preciso, pois fatores como, a posição da pelve e articulações próximas, interferem positivamente ou negativamente no resultado, segundo Weineck (1999).

A idade é outro fator que influencia na flexibilidade, crianças de um a três anos apresentam um alto nível de flexibilidade na musculatura da coluna vertebral e na musculatura posterior de coxa. Durante a puberdade fica praticamente impossível tocar os dedos dos pés com as mãos, isto se deve a uma desproporção entre membros inferiores e superiores e não á limites articulares, cita Weineck (1999).

O exemplo citado deixa claro o quanto é complexo a avaliação da flexibilidade, é importante que atletas profissionais façam pelo menos uma avaliação por ano com um ortopedista para evitar lesões.

 

Métodos de avaliação da flexibilidade

a) Teste de flexão do tronco para frente

O teste de flexão do tronco irá avaliar a flexibilidade da musculatura dorsal do tronco (coluna vertebral) e da perna (músculos isquiocrurais, músculo tríceps sural). A pessoa deverá realizar uma flexão do tronco para frente. A flexibilidade é medida pela distância entre as pontas dos dedos e as plantas dos pés, é importante que os joelhos estejam totalmente estendidos. A pessoa deverá manter a posição final por dois segundos, e repeti-la por mais duas vezes, a última medida será mensurada, menciona Weineck (1999).

 

b) Teste de flexibilidade da coluna vertebral e do quadril

Este teste segue os padrões do anterior, será avaliada a capacidade de flexão do quadril, coluna e alongamento da musculatura posterior do tronco. A pessoa deverá estar sentada, com as pernas afastadas e lentamente irá realizar uma flexão do tronco para frente, será mensurada a medida (em cm) da distância entre o chão e o peito, cita Weineck (1999).

 

c) Teste de flexibilidade da abdução das pernas

Este teste irá medir a distância entre as faces internas dos tornozelos ou o ângulo de abertura da mesma. A pessoa deverá sentar no chão, com a coluna ereta, e fará um afastamento das pernas, os valores obtidos podem ser comparados com testes futuros, mas não devem ser comparados com os resultados de pessoas diferentes, cita Weineck (1999).

 

d) Teste de flexão lateral do tronco

Este teste deve ser realizado para ambos os lados, para ser avaliado o déficit unilateral, pode-se avaliar a flexibilidade da coluna vertebral e do músculo reto abdominal. A pessoa deverá realizar uma flexão lateral do tronco, a medida será avaliada entre a distância da ponta dos dedos na posição ereta e a flexionada, cita Weineck (1999).

 

A importância da flexibilidade no treinamento do wushu

Segundo Weineck (1999), a flexibilidade é um fator de extrema importância para uma boa execução de movimentos sob os aspectos qualitativos e quantitativos. Um atleta com um alto nível de flexibilidade tem o desempenho esportivo favorecido, e por este motivo, passa a ser um quesito muito importante no processo de treinamento. Um bom nível de flexibilidade possibilita que o atleta de wushu possa realizar um número máximo de movimentos em um menor espaço de tempo, cita Roig (1990?).

Alguns aspectos do movimento como a coordenação, dinâmica espacial e temporal, leveza e graciosidade, expressão estética e força nos movimentos, em grande parte se devem á um bom nível de flexibilidade, cita Weineck (1999).

Relacionando Roig (1990?) e Weineck (1999), a falta de flexibilidade pode prejudicar o desempenho técnico e coordenativo do atleta de wushu, e assim, o mesmo terá seu desenvolvimento estagnado.

Roig (1990?) menciona que a força explosiva e a velocidade são capacidades que estão presentes em várias modalidades do wushu. Weineck (1999) afirma que, músculos mais alongados podem executar movimentos com maior força e velocidade, aumentando também a tolerância á lesões.

Weineck (1999), menciona que um esportista otimiza o seu desempenho esportivo quando consegue manter um período de treinamento prolongado sem lesões, garantindo assim, melhores resultados no seu treinamento.